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Competências essenciais à contratação em TI

Mais que domínio de tecnologias, talentos valorizados no mercado de trabalho precisam conhecer o negócio, saber gerenciar pessoas e se comunicar bem

Apesar dos esforços das companhias e do governo federal para formar novos talentos e reduzir o déficit de especialistas em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) no Brasil, as organizações continuam penando para achar mão de obra qualificada. Faltam profissionais de primeira linha, o que obriga as empresas a criarem programas internos para capacitar seus times e reforçar as estratégias de retenção.

Ao mesmo tempo, aumentam as exigências das empresas na hora da contratação. Elas olham além da competência técnica. Buscam especialistas que dominem tecnologias, conheçam negócios, tenham espírito de liderança e boas aptidões comportamentais. Sem contar fluência em inglês, uma exigência básica. E algumas companhias começam a solicitar também o espanhol.


Encontrar profissionais que atendam a todos esses requisitos não é tarefa simples, confirma Lucas Toledo, gerente executivo da área de TI da consultoria em RH Michael Page. Segundo ele, as empresas querem talentos com bagagem e múltiplas competências. Entre as quais conhecimento de governança em TI e gestão de contratos de fornecedores,  por causa do aumento da terceirização, impulsionado pelos serviços de cloud computing. É preciso também ser capaz de dialogar com desenvoltura e se relacionar bem com  o board e outras áreas de negócios. Os que ocupam posições mais top devem ainda ter capacidade para gerenciar orçamento e pessoas, como é o caso dos gestores e CIOs.

Os bons profissionais têm que abraçar os desafios das companhias. “As empresas estão passando por transformações e não querem pessoas que façam apenas o seu papel. Elas têm que estar comprometidas e saber para onde os negócios estão indo. Precisam ser inovadoras e saber se posicionar em diferentes situações”, orienta Toledo.

Como as exigências são muitas, o consultor da Michael Page afirma que a procura por mão de obra qualificada continua forte no mercado em 2013. Porém, o movimento é um pouco diferente do que aconteceu em 2011, quando a escassez por bons talentos gerou supervalorização de profissionais e inflacionou salários. “Os que entregaram resultados foram promovidos e os que não atenderam as expectativas estão sendo trocados”, constata o consultor.

Gestão de talentos

O consultor da Michael Page observa que  as substituições de profissionais do alto escalão estão ocorrendo porque eles não se reciclaram. Mas também  menciona casos de gestores que estão há mais de dez anos em uma mesma companhia e não se tornaram bons em gestão de pessoas, algo que é crítico em um mercado em que há escassez de talentos.

Até bem pouco tempo o gerenciamento de talentos era, antes de tudo, uma responsabilidade do departamento de RH. Hoje, os que estão em cargos de liderança têm o papel de orientar sua equipe e ajudar o crescimento profissional de cada um. Toledo ressalta que as companhias estão mais atentas a essa questão, solicitando com mais frequência avaliação do gestor por parte de seus subordinados em relatórios semanais, trimestrais ou semestrais. 

Na definição de Toledo, o bom líder é aquele admirado pelo seu time. Ele domina tecnologia e também tem o dom de motivar pessoas pelo seu exemplo. Dá feedback constante para seus times, ajudando os profissionais a crescerem, _ principalmente os profissionais da geração Y, que estão chegando agora e acham que as conquistas na carreira acontecem em pouco tempo.

“Pessoas boas atraem bons talentos. Ninguém quer trabalhar com um chefe que não seja admirado”, enfatiza o headhunter. “Não basta o gestor entregar só resultados a qualquer custo. Ele tem que ser admirado pelo time”, enfatiza o consultor da Michael Page, ressaltando que os que não causam essa percepção não conseguem reter nem desenvolver talentos. O consultor alerta que equipes que mudam com muita frequência sinalizam que algo está errado. 

Alta rotatividade

Apesar disso, dados de mercado revelam que os profissionais da TI estão entre os que mais mudam de emprego no Brasil. A constatação é de um estudo realizado pela Hays Executive, consultoria especializada na contratação de executivos para o alto escalão.

De acordo com a Hays, o setor de TI apresenta maior rotatividade entre altos executivos, ou seja, entre os CIOS, CTOs e outros líderes de tecnologia. Uma pesquisa por amostragem realizada pela consultoria comprovou que estes profissionais de tecnologia fazem transição em sua carreira, em média, a cada 2,6 anos.

A Hays comparou o período que esses profissionais permanecem nas empresas com executivos do mercado de bens de consumo, por exemplo  (um dos mais tradicionais e aquecidos devido ao aumento da renda do brasileiro), que mantém sua posição por 3,8 anos antes de mudar. É uma diferença de 31,08% entre o ciclo médio, por setor.

O levantamento da Hays foi elaborado com base nas contratações realizadas pela consultoria no mercado brasileiro. Moraes conta que, ao mesmo tempo em que existe abundância de vagas no mercado, encontrar os talentos solicitados pelas empresas não é tarefa fácil.

Segundo o consultor, atualmente as companhias estão procurando profissionais quase perfeitos. Dominar as mais variadas tecnologias e comprovar conhecimento por meio de certificações; ter experiência, ser fluente em inglês e transitar com desenvoltura no mundo dos negócios não bastam.

Leilão pelos melhores
A intensa busca das empresas por bons talentos gera um leilão para a seleção dos que atendem ao perfil procurado com ofertas de salários mais agressivas.

Prova disso, é que a pesquisa da Hays aponta que o setor de TI recebe uma média de salário bruto mensal 16,54% maior, sem contar bônus, benefícios e outras premiações.

“A área de tecnologia paga acima da média em relação a muitos outros setores. Mesmo assim, notamos que a gestão e o direcionamento da empresa importam mais que os salários na hora de mudar de emprego”, diz Paulo Moraes, associado de Hays Executive.

Planos de retenção

Para o consultor da Hays, a alta rotatividade no setor de TI não é saudável, principalmente quando as mudanças acontecem no alto escalão. Segundo ele, a saída de um líder pode gerar perdas para a companhia.

A recomendação de Moraes para evitar que isso aconteça é que as companhias sejam mais agressivas em suas estratégias de retenção. Ele constata que algumas organizações já perceberam que não é apenas o salário que segura pessoas no emprego.

Os talentos estão buscando mais que remuneração, como locais que ofereçam qualidade de vida e flexibilidade de horário, com opção de home office.

Ana Cláudia, da CTPartners, destaca que é importante que as companhias criem planos diferenciados para retenção de seus talentos. Ela destaca que o que mantém a satisfação do profissional é remuneração atrelada ao cargo adicionada a outros fatores.   Uma olhada rápida no ranking das melhores empresas para trabalhar em TI e Telecom deixa claro que elas seguem o conselho.

Reter é a melhor estratégia

Alexandre Attauah, gerente de TI da consultoria Robert Half, que contrata uma média de 50 profissionais da área por mês, para diversos tipos de companhias, destaca que as aptidões comportamentais somam tantos pontos quanto as competências técnicas. As empresas querem talentos com boa desenvoltura, flexíveis e que saibam conversar com todos os níveis da organização.

O consultor lembra que a TI não é apenas o departamento de suporte, mas a base de sustentação dos negócios, o que exige uma mudança de postura dos profissionais que têm dificuldade para se relacionar com outras pessoas que não sejam técnicas. Ele observa que muitos talentos do setor são introspectivos e que precisam aprimorar habilidades de comunicação.

Attauah percebe um esforço maior por parte das companhias para blindar os bons talentos, com salários e pacotes de benefícios agressivos, além de um bom ambiente de trabalho que privilegia a qualidade de vida. Outro movimento dentro das empresas é o de convidar colaboradores de negócios para ocuparem cargos de TI e oferecer a ele a capacitação necessária para exercício da nova função.

Da mesma forma que as empresas estão exigentes, os talentos também estão escolhendo melhor seus empregadores, constata Attauah. Mas que salários atraentes, eles buscam organizações que ofereçam ambiente para crescimento profissional e jornada flexível para uma melhor qualidade de vida. Os profissionais também esperam compensações para seu desenvolvimento com oportunidades para fazer cursos ligados ao seu cargo como um MBA, uma segunda graduação ou especializações que contribuam para seu progresso.

Dez requisitos buscados pelas companhias

1 Boa formação e experiência em sua área de atuação

2 Domínios de tecnologias, incluindo as novas como mobilidade, nuvem e Big Data

3  Certificação profissional no campo em que é especializado

4  Fluência em inglês e capacidade para fazer teleconferência com pares fora do País e participar de reuniões

5  Habilidade de comunicação para falar e transitar por todas as áreas da empresa

6 Saber fazer apresentações para unidades de negócios e board da companhia

7  Conhecimento em gestão de negócios e de pessoas

8  Espírito para trabalhar em equipe

9   Ser inovador e entregar resultados nos prazos

10 Ter boa relação interpessoal

Fonte: CIO