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É hora de explicar os tsunamis transformadores da TI para os CEOs

Muitos dos CIOs estão antenados com os desafios, mas lhes falta um discurso mais focado em negócio

As mudanças provocadas pela (r)evolução tecnológica se aceleram a cada dia. Estas rápidas mudanças afetam de forma significativa muitos setores de negócio. Há meros 40 anos a Internet estava engatinhando. A World Wide Web é mais jovem ainda, tem 25 anos. Hoje estamos vendo a chegada de várias ondas que se sobrepõem, criando uma verdadeira ruptura nos negócios e na TI, como Big data, mobilidade, Internet das coisas e cloud computing. É um desafio para os CIOs mas também para os CEOs. Como liderar sua empresa em um cenário onde a única certeza é a mudança contínua? Quais serão as próximas ondas e quando elas estarão sobre nós? O fluxo de criatividade é inesgotável...

Os executivos de negócio e de tecnologia devem entender estas transformações, seus impactos e prepararem suas organizações para sobreviverem à chegada de novos entrantes disruptores ou melhor ainda, para ganharem vantagens competitivas se assumirem riscos e se posicionarem como lideres na adoção das inovações.

Este contexto foi o tema de uma reunião com alguns CIOs que buscavam levar aos seus CEOs a preocupação com estas mudanças, mas sabiam que uma conversa sobre tecnologia não chegaria a lugar nenhum. O CEO não é um tecnólogo e portanto o discurso teria que ser centrado nos impactos das tecnologias nos negócios e não na tecnologia em si.


Que fizemos? Bem, analisamos juntos as ondas tecnológicas e criamos discursos voltados à linguagem do CEO.

Primeiro ponto. A empresa deve buscar ser mais inovadora. Mesmo grandes corporações não resistirão às mudanças se não souberem identificar as ameaças e reagirem rapidamente. Se analisarmos a lista da Fortune 500 de 2009 com a de dez anos antes, 1999, veremos que quase metade das empresas (238 para serem exatas) que apareciam em 1999 não estavam na de 2009. Empresas emblemáticas de setores transformados desapareceram num piscar de olhos. Exemplo? A Tower Records, uma das grandes gravadoras do setor fonográfico teve seu melhor ano em receitas em 1999 e faliu em 2004. A tecnologia está se disseminando e transformando empresas, e mesmo aquelas que se acham distante destas mudanças serão afetadas, mais cedo ou mais tarde. Provavelmente mais cedo...olhar a tecnologia como oportunidade de inovar, criar novos produtos e serviços é obrigatório para os CEOs que quiserem manter sua empresa viva nos próximos anos. Este deve ser o primeiro ponto do CIO em sua conversa com seu CEO. Tecnologia e o setor de TI devem ser vistos como alavancadores de novos negócios e não como meras ferramentas de melhoria operacional.

Para ser inovadora e ágil a empresa tem que ser eficiente, gerenciar custos e minimizar sua complexidade operacional. O discurso sobre cloud computing não é como a tecnologia funciona, e o que é virtualização, mas como o meio que permitirá as empresas serem mais ágeis, reduzirem seus custos e minimizarem a complexidade operacional. Com cloud computing, TI pode dedicar seus preciosos e escassos recursos (humanos e tempo) não a questões de infraestrutura, que não geram valor para o “bottom line” dos resultados, mas à busca de novas oportunidades de negócios. Adotar cloud é uma estratégia essencial para tornar a TI mais ágil e dedicada ao negócio.

Outro assunto a ser conversado com o CEO: a consumerização da tecnologia. O fato é que os clientes usam as mesmas tecnologias que as empresas e muitas vezes a usam até mesmo antes das empresas. Estão acostumados a usar interfaces intuitivos e acessarem serviços como solicitar um táxi a qualquer momento. Por que precisam enfrentar interfaces pouco intuitivos e restrições quanto ao uso dos serviços ofertados pelas empresas das quais são clientes? Portanto, usar mobilidade e desenvolver apps intuitivas nada mais é que atender uma exigência do mercado. Este é mais rápido e inovador que as empresas e portanto o CEO deve ser alertado que restrições quanto à adoção de mobilidade e plataformas colaborativas coloca em risco o futuro da sua organização.

E aí entramos no campo das plataformas de colaboração ou social media. Não se trata de criar páginas no Facebook ou uma conta no Twitter. Isto já está comoditizado. Trata-se de criar mecanismos de participação, envolvimento, engajamento e colaboração direta com os clientes e funcionários. Vivemos em uma sociedade hiperconectada onde nossos clientes se comunicam no seu dia a dia via Facebook e Whatsapp. Porque não podem interagir desta forma com as empresas?

Um erro muito comum que observei na conversa é o discurso sobre Big Data. Não é tecnologia ou o fato de que existe uma verdadeira explosão de dados que motiva o CEO a patrocinar projetos de Big data, mas questões de negócio. Por exemplo um CIO de um grupo universitário me disse que um dos seus problemas é a taxa de evasão. Um projeto que agradaria imensamente ao seu CEO é reduzir esta taxa. Ora, a universidade tem uma montanha de dados sobre seus alunos: perfil (local onde mora, idade, sexo, etc), suas notas e frequência às aulas ao longo do tempo, se está ou não em dia com pagamento e assim por diante. Ora, analisando este grande volume de dados pode-se usar um algoritmo que identifique um padrão de evasão e de forma preditiva permita à universidade usar esta informação para evitar que o aluno vá embora. Este é o valor gerado pela análise de dados. O CIO não estará falando em Big Data como fim, mas como meio para gerar valor para um problema de negócio, que não era possível resolver antes devido a multiplicidade de fontes de dados não integrados entre si.

A conversa deixou claro que muitos dos CIOs estavam antenados com os desafios, mas lhes falta um discurso mais focado em negócios. Os seus principais aliados sempre foram as empresas fornecedoras de tecnologia e estas são deficientes nos discursos de negócios. Vão direto à tecnologia, as características funcionais de seus produtos, que é sua zona de conforto. São portanto de pouca ajuda quando a questão é criar novas oportunidades de negócio ou mesmo resolver um problema que afeta a receita da empresa. A tecnologia é o meio e não um fim em si mesmo. Este deve se o papel de TI e do CIO: usar a tecnologia como meio para aumentar a receita e lucratividade da empresa.

O discurso do CIO deve ser baseado em uma agenda de problemas e desafios que o CEO tem pela frente e nela inserir as tecnologias que irão servir de ferramenta. Falar em Big Data ou entregar tablets aos funcionários será de pouca valia se estas propostas não forem solidamente embasadas em desafios e oportunidades de negócio.

Fonte: CIO